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Profissional acompanha dados de consumo e demanda de energia em tablet para gestão de peak shaving.

Peak shaving: como reduzir picos de demanda e custos com energia?

Peak shaving é uma estratégia para reduzir os maiores picos de demanda elétrica de uma operação.

Esses picos podem surgir quando equipamentos de alta potência funcionam simultaneamente, processos entram em carga no mesmo período ou a planta concentra parte relevante do consumo em determinados horários.

O efeito pode aparecer diretamente nos custos de energia e na gestão da infraestrutura elétrica.

Desta forma, reduzir picos não significa simplesmente consumir menos, mas entender quando a demanda aumenta, o que provoca esse comportamento e quanto dela pode ser gerenciado sem comprometer a operação.

O que é peak shaving e como funciona?

Peak shaving, ou redução de picos de demanda, busca limitar a potência solicitada da rede nos momentos em que a carga da operação atinge seus níveis mais altos.

Dependendo do perfil da planta, isso pode envolver gestão de cargas, automação, geração local ou armazenamento de energia.

No Brasil, a solução mais comum para reduzir o custo no horário de ponta é a geração própria com grupos geradores a diesel ou a gás. Mais recentemente, o armazenamento em baterias (BESS) passou a ser avaliado como alternativa: a energia acumulada fora da ponta é usada nesse período, sem queima de combustível no local.

O ponto de partida, porém, não é escolher a tecnologia. É conhecer a curva de carga e identificar quando, por quanto tempo e por quais motivos os picos acontecem.

Nesse sentido, um diagnóstico energético, considerando demanda contratada, demanda medida, curva de carga e oportunidades de gestão de demanda, ajuda a entender o comportamento da operação antes da definição das soluções.

Por que os picos de demanda merecem atenção?

Nem todo pico representa desperdício. Alguns fazem parte do processo produtivo ou refletem períodos legítimos de maior utilização da planta.

O problema surge quando a operação não conhece esses eventos ou não avalia se eles poderiam ser reduzidos ou deslocados.

Partidas simultâneas de equipamentos, aumento temporário da produção, sistemas de climatização e refrigeração em alta carga ou crescimento da planta sem revisão da estratégia energética podem alterar significativamente a demanda.

Assim, antes de intervir, é necessário identificar quais cargas formam o pico, quanto tempo ele dura e qual impacto tem sobre os custos e a operação.

Como o peak shaving pode ajudar a controlar custos?

O resultado financeiro depende da estrutura tarifária e do perfil de consumo de cada empresa.

Quando os picos pressionam a demanda registrada, uma estratégia de peak shaving pode ajudar a controlar custos e trazer mais previsibilidade para a gestão energética.

Mas reduzir a demanda não pode comprometer produção, qualidade ou continuidade.

Desligar uma carga crítica apenas para diminuir um pico pode gerar um custo operacional maior do que a economia obtida. A estratégia precisa, portanto, equilibrar redução de demanda e necessidades reais do processo.

Como a demanda é cobrada no horário de ponta?

No Brasil, consumidores do Grupo A, atendidos em média e alta tensão, contratam um valor de demanda junto à distribuidora e pagam tarifas diferentes conforme o posto horário.

O horário de ponta corresponde a três horas diárias consecutivas, definidas por cada distribuidora, exceto aos sábados, domingos e feriados nacionais, e concentra as tarifas mais altas.

Na modalidade tarifária azul, a demanda é contratada e cobrada separadamente para a ponta e para o fora de ponta. Na modalidade verde, há uma única demanda contratada, mas a energia consumida na ponta tem tarifa significativamente mais alta.

Em ambas, quando a demanda medida supera em mais de 5% a demanda contratada, toda a parcela acima do valor contratado é cobrada como ultrapassagem, com o dobro da tarifa de demanda, conforme a Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021.

Por isso, o ganho com peak shaving depende da modalidade: na azul, ele vem da redução da demanda medida na ponta e fora dela, com peso maior na ponta; na verde, de cortar picos ao longo do dia e reduzir o consumo de energia da rede no horário de ponta.

Como o BESS pode ser usado para peak shaving?

O BESS (Battery Energy Storage System) é uma das alternativas para reduzir a demanda solicitada da rede sem geração a combustível no local.

No peak shaving, a bateria armazena energia em períodos de menor demanda e a libera quando o consumo da planta se aproxima de um limite definido. Assim, parte da potência necessária naquele momento passa a vir do sistema de armazenamento, e a demanda medida pela distribuidora fica abaixo do valor contratado.

Como o pico de uma indústria nem sempre coincide com o horário de ponta da distribuidora, esse controle precisa atuar sempre que o pico ocorrer, para evitar ultrapassagem e permitir uma demanda contratada mais ajustada.

O BESS também pode ser programado para descarregar durante o horário de ponta, reduzindo o consumo da rede no período de tarifa mais alta. Nesse caso, a recarga é feita fora da ponta, sem criar um novo pico de demanda.

Em ambos os usos, o resultado depende de um dimensionamento que considere o perfil de consumo, a modalidade tarifária e a rotina da operação.

Conheça as aplicações do BESS para a gestão de energia.

Dimensionamento depende do comportamento do pico

Um pico intenso e curto exige uma configuração diferente de uma demanda elevada mantida durante um período mais longo. Por isso, potência (kW), capacidade de armazenamento (kWh), duração dos eventos e frequência de utilização precisam estar alinhadas ao perfil real da operação.

Se a mesma bateria for usada para cortar picos e para atender o horário de ponta, a capacidade também precisa ser dividida entre essas funções.

Dimensionar sem essa leitura pode levar a dois extremos: um sistema incapaz de entregar a redução necessária ou um investimento maior do que a demanda justifica.

Além da capacidade, o projeto também precisa considerar segurança, vida útil e monitoramento do sistema BESS ao longo da operação.

Termoacumulação: peak shaving em centrais de água gelada

O armazenamento também pode ser térmico. Em Centrais de Água Gelada, a termoacumulação produz e armazena água gelada em tanques fora do horário de ponta, quando a energia elétrica é mais barata, e utiliza esse volume para atender a climatização ou o processo durante a ponta.

Com isso, os chillers, principais consumidores de energia elétrica de uma CAG, podem ser desligados ou operar em carga reduzida no período de tarifa mais alta.

Em alguns projetos, o tanque também é dimensionado para suprir o pico de carga térmica. Assim, os chillers não precisam ser dimensionados para a demanda máxima, o que reduz a potência instalada e o investimento em equipamentos.

Como no BESS, a viabilidade depende do perfil de carga térmica, da estrutura tarifária e do espaço disponível para os tanques.

Monitoramento ajuda a identificar quando e onde agir

Uma estratégia de peak shaving depende da visibilidade sobre a curva de carga. Se a empresa observa apenas o consumo consolidado na fatura, pode ser difícil identificar quais processos estão formando os picos e em quais momentos eles ocorrem.

O acompanhamento de demanda e consumo permite enxergar padrões, comparar períodos e verificar se as ações adotadas estão produzindo o resultado esperado.

Essa lógica também evita tratar todo aumento de demanda como um problema. O dado precisa ser relacionado à produção, à condição dos ativos e ao comportamento real da operação.

Quando o peak shaving faz sentido?

A estratégia ganha relevância quando a análise mostra que os picos têm peso importante nos custos ou na gestão da infraestrutura elétrica.

Antes de decidir, vale entender:

  • Quando e com que frequência os picos acontecem;
  • Quanto tempo permanecem;
  • Quais cargas estão envolvidas;
  • Quanto da demanda pode ser flexibilizado;
  • Qual economia pode ser obtida;
  • Qual solução apresenta melhor relação entre investimento e resultado.

Essa leitura transforma peak shaving em uma decisão de gestão energética, e não apenas em uma aplicação de bateria.

Como a Ecogen avalia projetos de peak shaving?

Na Ecogen, a avaliação começa pelo comportamento real da operação. Perfil de consumo, demanda, estrutura tarifária e criticidade das cargas ajudam a identificar se existe oportunidade de peak shaving e qual estratégia pode responder melhor ao cenário.

Esse entendimento pode partir de um diagnóstico energético industrial, capaz de revelar padrões de consumo, comportamento da demanda e oportunidades antes da definição da solução.

A partir dessa leitura, podem ser considerados caminhos como gestão de cargas, automação, geração ou armazenamento de energia, conforme as necessidades da operação.

O objetivo não é apenas reduzir um pico no gráfico, mas controlar custos sem transferir o problema para a produção.

Converse com um especialista da Ecogen.

Perguntas frequentes sobre peak shaving

O que significa peak shaving?

É uma estratégia para reduzir os maiores picos de demanda elétrica de uma operação e controlar a potência solicitada da rede em determinados períodos.


Peak shaving reduz o consumo total de energia?

Não necessariamente. Seu principal objetivo é modificar como e quando a energia é demandada, reduzindo os maiores picos da curva de carga.


Preciso de um BESS para fazer peak shaving?

Não obrigatoriamente. Gestão de cargas, automação e outras alternativas também podem ser utilizadas. O BESS é uma opção quando o armazenamento se mostra adequado ao perfil e aos objetivos da operação.


Como saber se minha empresa tem oportunidade de peak shaving?

A análise da curva de carga, da demanda medida, da estrutura tarifária e das cargas responsáveis pelos picos ajuda a identificar se existe oportunidade e qual redução é tecnicamente viável.


Qual a diferença entre controle de demanda e peak shaving?

O controle de demanda desliga temporariamente cargas não críticas quando a demanda se aproxima do limite contratado, evitando ultrapassagem. O peak shaving é uma estratégia mais ampla: além do controle de cargas, pode usar automação, geração local ou armazenamento de energia para atender o pico sem desligar equipamentos.

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